O amor tem um lápis
no bolso da camisa azul
pra fazer contas
que o tempo possa apagar.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
sábado, 28 de agosto de 2010
MANDATO
Tecem no escuro
destino
pra barriga alheia.
Escurecem o tecido
barrigudo
de alheio destinatário.
Embarrigam.
E já não há o que tape
tantos destinados.
(Divisas, 1991)
destino
pra barriga alheia.
Escurecem o tecido
barrigudo
de alheio destinatário.
Embarrigam.
E já não há o que tape
tantos destinados.
(Divisas, 1991)
terça-feira, 17 de agosto de 2010
neorapunzelborralheira
cortaram meus sonhos
minha força
meus cabelos.
Perdi meus sapatos
meu caminho de ida e de volta
meu baile de amor.
Danem-se as modernas formas de viver.
Não é digno a uma mulher
andar num pé só.
Danem-se mais ainda
os itens antigos de fragilidades.
Eu só preciso de uma escada.
Descer e subir
sucumbir e crescer
dou conta.
minha força
meus cabelos.
Perdi meus sapatos
meu caminho de ida e de volta
meu baile de amor.
Danem-se as modernas formas de viver.
Não é digno a uma mulher
andar num pé só.
Danem-se mais ainda
os itens antigos de fragilidades.
Eu só preciso de uma escada.
Descer e subir
sucumbir e crescer
dou conta.
domingo, 15 de agosto de 2010
carta aberta
Hoje parece ser um dia igual aos outros.
Mas eu sei que não é. E sei que não sei
quando começou e onde vai dar
o dia do descanso.
É estranho o tempo do ócio entre as palavras.
Na falta do que fazer, tenho levado ao pé da letra
aquela frase sobre o princípio.
De fato, o verbo foi fazendo Deus.
Mire e veja.
No espelho da página, imagens se debatem.
Umas convencem, outras arruínam.
Mas os dias estão contados.
Do que me resta, digo: não posso distinguir
pescador e peixe
corpo e sangue
criado e criador.
No mais,
curto o vento,
a rede é grande.
(Em: Sete Dias, 2007)
Mas eu sei que não é. E sei que não sei
quando começou e onde vai dar
o dia do descanso.
É estranho o tempo do ócio entre as palavras.
Na falta do que fazer, tenho levado ao pé da letra
aquela frase sobre o princípio.
De fato, o verbo foi fazendo Deus.
Mire e veja.
No espelho da página, imagens se debatem.
Umas convencem, outras arruínam.
Mas os dias estão contados.
Do que me resta, digo: não posso distinguir
pescador e peixe
corpo e sangue
criado e criador.
No mais,
curto o vento,
a rede é grande.
(Em: Sete Dias, 2007)
segunda-feira, 26 de julho de 2010
DESAFIO
há uma perplexidade à frente
o verde é infinito
é de banhar
a sede das metades
é de beber
de dar vontade.
As vistas são várias
e a ilha
é o estar aqui
feito pêndulo limitado
a balançar o tempo.
O desafio está na face de todas as coisas
e a profundidade atrai
o distante e o prazer.
O pretexto para a âncora pode ser um sonho
mas navegar não é perigoso.
Somos todos marinheiros.
E a palavra
mesmo a não dita
é uma primeira viagem
(publicado em Divisas, em 1991)
o verde é infinito
é de banhar
a sede das metades
é de beber
de dar vontade.
As vistas são várias
e a ilha
é o estar aqui
feito pêndulo limitado
a balançar o tempo.
O desafio está na face de todas as coisas
e a profundidade atrai
o distante e o prazer.
O pretexto para a âncora pode ser um sonho
mas navegar não é perigoso.
Somos todos marinheiros.
E a palavra
mesmo a não dita
é uma primeira viagem
(publicado em Divisas, em 1991)
sábado, 17 de julho de 2010
ou seria céu de julho, 17?
Bbbbbrrrr
Céu de junho.
A noite chapada
- densa coberta negra -
se contorce num arrepio.
Traga de um jeito esquisito
uma fumaça gelada
e devolve
do fundo de seus pulmões ressentidos
uma onomatopéia do frio.
Céu de junho.
A noite chapada
- densa coberta negra -
se contorce num arrepio.
Traga de um jeito esquisito
uma fumaça gelada
e devolve
do fundo de seus pulmões ressentidos
uma onomatopéia do frio.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
AMBIGUIDADE
O mundo
está no fundo.
Quem o conhece
sem lhe ter
detém a esperança.
O mundo
Só.
Por isso
me confundo.
está no fundo.
Quem o conhece
sem lhe ter
detém a esperança.
O mundo
Só.
Por isso
me confundo.
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