sábado, 20 de agosto de 2011

O QUE CONTA

Um e dois
talvez noite e estrela
ou água e vinho.

Um e dois
quando é beijo,
junção ou desalinho.

Um e dois
quixotescamente falando
ou o vento ou o moinho.

Um e dois
talvez só um
ou matematicamente dois
ou ainda
quando um está para o outro
é possível que algum
seja nenhum.

(Meios, 2001)

domingo, 26 de junho de 2011

INTROSPECÇÃO

Está frio
e um rio gelado
corre em meu corpo.
Não quero o mar
quero parar
no calor do próprio leito.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

do que o amor é capaz

sei pouco
do que o amor é capaz.
Hoje
ele me virou as costas e disse:
-se quiser, venha me agradar.
Tive vontade de mandá-lo às favas
mas, cheia de dengo,
abanei-lhe o calor
cafunezei seus cabelos.
E ele, manhoso:
- só porque eu reclamei não vale.
Antes de eu protestar, determinou:
- fica fora uma semana
aí você morre de saudade
e volta bonzinha.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Há vinte anos atrás, escrevi um poema que começava assim...

Pelo estreito entre mares
tantos
vôos e correntes
andamos todos
somos os mesmos
em cada canto.
Estamos ligados
é a vez dos temporais
e dos jornais.
(...)

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Não acho

pra esse facho

entre nós

desfecho.


      fecho a face

      faz-se a dúvida.

Fosse eu

fotossíntese

fóssil seria

todo o medo

fácil seria

a seiva

desse segredo.



(Divisas, 1991)

sábado, 16 de abril de 2011

Irresponsabilidade

Quem semeou
essas flores do asfalto
de fétido cheiro
de fúnebres cores
de miseráveis formas?
Como parafrasear
a parábola do semeador
sugerindo a colheita do desamor?

quinta-feira, 24 de março de 2011

confissão

A ligação que eu estabelecia
entre os meus dedos e a tua pele
não era de atrito, geração de energia.
Era delito, crime à revelia
era pra matar
quase perfeitamente
a saudade.