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terça-feira, 20 de abril de 2010

A poesia me justifica

Busca

Passeio entre folhas secas
neste bosque de palavras.
Estarei pisando na morte
enquanto a vida se ergue
fora do alcance?

Um tronco se ramifica
e as linguagens se reproduzem
para uma beleza
que talvez nunca se complete.
Estarei pisando na morte
enquanto os sentidos
desperdiçam seu pólen?

Quem busca respostas sabe
que essa é tarefa
a se cumprir no futuro.

Aliança


Minha prece do dia
meu preço de vida
é este papel.
Uma hóstia que engulo
não sem antes
mastigá-la.
Sei que morro
daqui a pouco
mas aqui me deixo
comungado.
Depois serei ex.
Como tudo, aliás.
E porque suspeito
de que o passado esteja no futuro
canto o presente
como uma morte
que não é tristeza.

Pretensão ou pressentimento
meu presente
é a palavra
é o pó
e a lavra.

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