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domingo, 15 de agosto de 2010

carta aberta

Hoje parece ser um dia igual aos outros.

Mas eu sei que não é. E sei que não sei

quando começou e onde vai dar

o dia do descanso.

É estranho o tempo do ócio entre as palavras.

Na falta do que fazer, tenho levado ao pé da letra

aquela frase sobre o princípio.

De fato, o verbo foi fazendo Deus.

Mire e veja.

No espelho da página, imagens se debatem.

Umas convencem, outras arruínam.

Mas os dias estão contados.

Do que me resta, digo: não posso distinguir

pescador e peixe

corpo e sangue

criado e criador.

No mais,

curto o vento,

a rede é grande.

(Em: Sete Dias, 2007)

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